17 março 2017

[Resenha] Crime e Castigo



CRIME E CASTIGO
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Martin Claret
Ano: 2013
Páginas: 591
Skoob

Sinopse: Publicado em 1866, Crime e Castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para perservar sua dignidade contra as várias formas da tirania.



Decidi iniciar, por esta obra o desafio de conhecer a literatura russa. Não por acaso se deu tal escolha, já que Fiódor é aclamado e um nome reconhecido da literatura mundial; talvez o maior autor russo, influenciador de vários outros escritores de peso do pensamento contemporâneo.

No cerne da história, nos é apresentado Rodion Românovitch Raskólnikov, muitas vezes tratado pelo apelido Ródia, um medíocre ex-estudante de direito que vive à míngua, sem trabalho, mas cheio de teses e conjecturas sobre os moldes da sociedade. Sustentado pelo suado dinheiro que a miserável mãe envia, segue por uma vida ociosa e sem objetivos.


No ápice de suas frustrações, o rapaz decide matar uma agiota para lhe roubar, julgando justificável a vil atitude, por se sentir superior, intelectualmente, à vítima. Inesperado fora quando, antes que pudesse fugir da cena do crime, apareceu a irmã da vítima, e Ródia, com mais uma má decisão, assassina esta também. Com certo desespero, carrega consigo alguns poucos objetos, dinheiro e jóias da casa da agiota.

Apesar de acreditar que o mundo seja dividido, baseado em sua própria teoria, em uma população "ordinária" e outra "extraordinária", o pretenso eminente Rodion não considerou ser afetado pelo fator consciência, ao determinar os parâmetros da ação, agora consumada. Pois ao seu modo de pensar, os "ordinários" existem, tão somente, para servirem aos desígnios dos "extraordinários", numa visão bem simplista mesmo.


A partir daí, o rapaz passa a ser atormentado por sua consciência, em decorrência do peso de ter matado alguém que não estava incluído na intenção inicial, alguém inocente. O fantasma de a polícia vir a descobrir seu crime tenebroso, a vergonha de seus familiares tomarem ciência do monstro em que ele se transformou: tudo agora o persegue e tortura, por todas as horas do dia.

Ródia terá de encontrar forças para seguir sua vida, seja como for, antes que a loucura o domine. O dilema em sua mente, entre o certo e o errado, a prisão ou a culpa, terão de ser resolvidos. Para tanto, várias situações o influenciará.

“Viver pra quê? A que almejar? A que dedicar seus esforços? Viver apenas por viver? Mas inúmeras vezes estivera disposto a dedicar toda a existência a uma idéia, a uma esperança, até uma fantasia. A mera existência não tinha muita importância para ele: sempre quisera mais.”

A leitura, às vezes, desenvolve-se um pouco lenta, pela própria dinâmica do sofrimento do personagem. Mas sentimos toda a tensão da sua culpa, a angústia do ato irremediável, a sagacidade para dissimular o insucesso no que não se pode esconder.


Fiódor nos transporta, magistralmente, para o cérebro e entranhas de Rodion, pois sentimos vivamente, através de seu texto, toda a dor moral e ansiedade pela qual o personagem passa. Seguramente, é uma leitura indispensável para os apreciadores dos grandes nomes da literatura. A obra apresenta, dentro do tema, cada coisa no seu devido tempo; é envolvente e desafiadora.

Recomendo!


5 comentários:

  1. Amei a resenha, e deu vontade de ler. Mas já sei que vou ficar um tempo perdida tentando pronunciar o nome do personagem hahah

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  2. Olá,

    Quanto nome complicado, hein? Eu nunca fiz a leitura de uma obra russa, acho que já está na hora de começar a conhecer alguns autores e saber mais. Eu gostei da sua resenha, apesar de ter ficado um pouco com medo de fazer a leitura (falo sobre o gênero do livro), mas vou adicionar o livro na minha lista de desejados e dá uma oportunidade ao autor e ao gênero! ♥

    → desencaixados.com

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  3. Oi! Eu nunca li nada desse autor, mas bem o conheço, como vc disse, ele é muito aclamado, já ouvi falar desse livro também e apesar de me chamar atenção, tenho uma certa dificuldade em ler livros desse nível devido a leitura ser lenta ou arrastada, gosto dos temas que são abordados e as reflexões que a história proporciona ao leitor, falo isso pq já li muitas resenhas desse livro e pretendo muito ler em breve! Resenha ficou show! Sucesso, beijos! http://www.deixameser.com.br

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  4. Esse livro é um clássico. Dostoiévski explora os limites do ser humano e da escrita de uma forma única. Quem nunca leu nada do autor deveria, pra conseguir entender como o ser humano pode ser confuso e complexo!

    Bjos

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  5. Eu simplesmente adorei este livro! Um professor me indicou faz uns anos e, mesmo se tratando de um livro da complexidade humana, é de relativamente fácil entendimento.
    Me deu vontade de ler de novo. Adorei tua resenha. (:
    Bjss

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