23 fevereiro 2017

[Resenha] São Bernardo



SÃO BERNARDO
Autor: Graciliano Ramos
Editora: Record
Ano: 2012
Páginas: 271
Skoob



Sinopse: Este livro conta a história de Paulo Honório, um homem simples, que movido por uma ambição sem limites, acaba transformando-se em um grande fazendeiro do sertão de Alagoas e casa-se com Madalena para conseguir um herdeiro. Incapaz de entender a forma humanitária pela qual a mulher vê o mundo, ele tenta anulá-la com seu autoritarismo. Com este personagem, Graciliano Ramos traça o perfil da vida e do caráter de um homem rude e egoísta, do jogo de poder e do vazio da solidão, onde não há espaço nem para amizade, nem para o amor.





Paulo Honório, personagem principal dessa narrativa, conta sua história de vida desde a infância, quando fora criado por uma negra doceira chamada Margarida. Já angustiado por seus atos desmedidos, no decorrer de toda a sua trajetória, velho e solitário se vê obrigado a refletir sobre sua personalidade e decisões.



Após adquirir recursos de maneira torpe, vislumbra condições de crescer como fazendeiro em sua terra natal, Viçosa. Embrutecido da vida que tivera até ali e cego pela ganância em acumular recursos financeiros, inicia sua empreitada rumo à aquisição da fazenda São Bernardo. Para tanto conta com ajuda de seu fiel amigo Casimiro Lopes, que segue suas ordens e desejos sem titubear.

"A culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste".


Seguem-se, após sua volta, uma série de eventos que deixa claro sua truculência e cobiça, mesmo após casar-se com Madalena: professora primária que não se curva frente aos seus desmandos. A relação do casal passa a ser conturbada pelo ciúme e temperamento diverso.



Posso dizer que a obra nos leva a pensar sobre os limites para se alcançar nossos objetivos, e os valores que devemos cultivar. A observação da nossa personalidade que pode corrigir o curso da vida, evitando o desgaste das relações humanas.

"...amanheci um dia pensando em casar. foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo-de-saia a provocasse. não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me parece que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar".


Não consigo concluir se Paulo Honório se tornou tão odiável em virtude do sofrimento a que foi submetido, ou se isso simplesmente aflorou uma personalidade deturpada: este paradoxo observamos sempre nas sociedades.

De qualquer forma, leia “São Bernardo” e tire suas próprias conclusões. Ao final, quem sabe encontre em um coração de pedra o remorso pelas faltas cometidas.





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